Mídia Obsoleta?

por Van Pato

Um dia escutei pessoas falando sobre os dias contados do Jornal impresso, com o advento da internet and all that jazz.

No entanto, eu acredito de forma sincera que o Jornal de papel não perde campo para internet não.

A diferença é que realmente as pessoas sem tempo e que antes não compravam o jornal em papel por estarem atrasadas demais ou trabalhando demais, vão passar a se informar pela internet. As demais que compram o jornal regularmente por qualquer motivo, seja por estarem na rua, ou simplesmente por terem um longo caminho até o trabalho continuam comprando nas bancas seu jornal.

O que é bom, diga-se de passagem.

Afinal, estamos vivendo em tempos de um grande boom informacional e isso se mostra no alcance que a notícia ganha nos dias atuais.

Pego carona nas falas do Bourdieu sobre mídia e tento colocá-las de maneira a não tirar uma idéia equivocada entre estes dois pontos ( midia impressa e midia eletrônica) e vice-versa. como ele mesmo diz " Consciente também de que o que faço se inscreve no prolongamento, e no complemento, do combate constante de todos os profissionais da imagem empenhados em lutar pela 'independência de seu código de comunicação' " . Desta forma, o campo informacional se abre em um leque enorme. Em disputas como tantas outras inseridas na disputa simbólica do campo cultural-informacional.


A a dominação cultural e simbólica muda um pouco sua elevada forma de capital simbólico que existia anteriormente. Em épocas distantes a TV era soberana. Nos dias atuais, isto gradativamente vai se transferindo sim para a internet, mas não totalmente. Da mesma forma que o rádio não morreu com a ascenção da TV, a midia impressa não morrerá com a internet. Ganhará outra importância simbólica, mas não se tornará obsoleta como um telégrafo. Afinal, estamos tratando de mídias com um grande potencial criativo no que diz respeito ao capital simbólico informacional. E posto isso, acredito sim que o jornal de papel não perde totalmente sua importancia informacional e sua importancia na formação do capital simbólico e na dominação cultural do mesmo por meio do seu próprio conteudo informacional e sua versatilidade criativa e de modalidade de discurso.

Os dois convivem lado a lado e não entram em conflito. E mais ainda, podemos ver a pluraldiade de discursos cada vez maior em nosso meio informacional. Em outras palavras, mais elementos entram na disputa de campo que é a própria difusão simbólica da informação neste dias em que vivemos.

e o céu é o limite, me arrisco dizer.

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Lond: Será?
Acho que isso, quando acontecer, será gradual.
A tv, diferente do jornal, tem outros papéis que não só o de tv aberta, por isso vai continuar firme e forte, mesmo com os computadores dominando cada vez mais casas por aí afora.
Mas aos poucos, é cada vez mais fácil acessar a internet (e consequentemente jornais online, blogs, podcasts, e sabe-se google o que mais) fora de casa, no ônibus e etc.
Infelizmente, no Brasil isso pode demorar a acontecer muito mais, visto que além de sermos tecnologicamente atrasados, o problema da violência nos impõe um problema adicional: Andar com eletrônicos na rua é quase que um pedido por assalto, que será atendido prontamente por qualquer bandido incauto.
No mais, acho que a tendência é que o jornal impresso perca muita de sua importância, talvez não findando, mas se reduzindo a quase que um símbolo de uma existência anterior.