Considerações Pessoais acerca das visões do OUTRO - Parte I

por Van Pato

Considerações iniciais acerca do Outro: Pertencimento e Estranhamento



Diversas pessoas no mundo têm o sentimento de não pertencimento mais aflorado que outras. O sentimento de sempre se sentir O Outro.

Este sentimento existe graças ao estranhamento que existe dado a diversos fatores.

Oscar Wilde dizia que a única certeza quanto a natureza humana é que ela é mutável. Aforismos a parte, nós encontramos uma razão direta e bastante lógica nesta argumentação.

Guardo as considerações existencialistas para a segunda parte deste texto. Em um primeiro momento temos de conhecer o porque de existir esse sentimento de não pertencimento. E mais do que isso o estranhamento.

Assim como Carlo Ginzburg, realmente parece-me que o estranhamento é um antídoto eficaz contra um risco a que todos nós estamos expostos: o de banalizar a realidade( inclusive nós mesmos).

E o que isto implica? O estranhamento ao outro é um refugio da própria incapacidade humana de buscar algo além dos seus pequenos rituais diários. E é justamente ao se confrontar com um outro individuo cujo ritual diário e comportamental se distingui que se cria o estranhamento. E este estranhamento pode tanto afastar completamente estes indivíduos como pode os aproximar de maneira não amistosa, mas em conflito direto de posições.

Existe dentro dos seres humanos a idéia absurda de achar que a existência humana seja previsível. De que a guerra, o amor, o ódio, a arte possam ser encarados com base em prescrições prontas. Ter consciência da irracionalidade de alguns atos e a pluralidade de influências as quais o indivíduo humano está sujeito é o primeiro passo para reduzir o estranhamento causado pela mera visão do Outro.

E agora volto ao Ginzburg para entendermos um pequeno método postular dentro de sua teoria maior sobre distancia e estranhamento que nos serve para analisar as diferentes visões de mundo presentes no diferente olhar do Outro. Ele diz que A auto-educação moral requer, antes de mais nada, que se anulem as representações erradas, os postulados tidos como óbvios, os reconhecimentos que nossos hábitos perceptivos tornaram gastos e repetitivos. Para ver as coisas devemos, primeiramente, olhá-las como se não tivessem nenhum sentido: como se fossem uma adivinha.

E o que é essa adivinha? Justamente nosso olhar sobre o outro. Um emaranhado de especificidades não diretas que se tornam confusas, unicamente por não serem diretamente presentes em nossas especificidades banais e cotidianas.

Geralmente o sentimento de não pertencimento é causado por aqueles que o sentem pela percepção destes conceitos em nível inconsciente, o que gera em via de regra a angústia. O que ocorre é que ao se ver como o outro, mesmo em nível não consciente, o individuo sente-se não agrilhoado aos parâmetros tidos como gerais meramente por ver em seus rituais diários e comportamentais um distanciamento inicial com o do resto dos que o cercam e mais que isso, vê o estranhamento dos que o cercam em nível intrapessoal.


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Halbran: Aguardo a Parte II para dar um parecer.